Meus Pequenos Poemas
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
A Tatuagem de Francisco (Raquel Pereira)
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
Humana
Eu me constituo, HUMANA!
Humana, nas relações que estabeleço, palavras e sorrisos.
Humana, na risada compartilhada, no abraço, na cumplicidade de um olhar emocionado.
Eu me constituo, HUMANA!
De toda - HUMANIDADE- frágil, errante.
Eu me constituo, HUMANA!
no toque, nas mãos entrelaçadas, na alma.
-HUMANA- Dócil, feroz,
Tantas, em tantos EUS, quanto possível.
Nos EUS, que se encontram nos SEUS, em VÓS, em NÓS.
Eu me constituo, HUMANA!
Fraca, forte, Feliz e infeliz,
Eu me constituo, HUMANA!
Nas Dores e sorrisos.
Eu me constituo, hoje- HUMANA- Como obra de fiador.
Quando, por fim estiver pronta, Posta!
Dar-me-ei completa, encerrada!
Hoje! ainda me constituo, com toda sorte de HUMANIDADE:
HUMANA!
domingo, 14 de agosto de 2016
Ainda me lembro, PAI.
Era mês de julho.
A televisão não dava trégua. O comercial frenético, disparava: “PAI, NÃO
ESQUEÇA DA MINHA CALOI”. Quem está na casa dos trinta, sabe exatamente do que
estou falando.
Eu, uma criança como qualquer outra, louca para
ganhar a bendita! Seria a minha primeira bicicleta e, é lógico, a ansiedade
tomava conta de todo o meu corpo.
Na época, eu estava
com cinco anos, pronta para chegada dos seis - esse rito de passagem que
transformaria não só a minha idade, mas também os meus dias. Aproveitei, então,
que era o mês do meu aniversário, e fiz o tão aguardado pedido: CALOI.
A
pior loucura do meu pai foi prometer. Quem me conhece sabe que não sou criatura
fácil. Quando encasqueto com alguma coisa, não há santo que resolva.
Finalmente
chegou o grande dia - MEU ANIVERSÁRIO – que, por grande coincidência, era dia
dele também. Fui até a porta, ansiosa, esperando que chegasse do trabalho. Mal
colocou o pé no quintal, corri em sua direção; a ansiedade tomava-me por
inteira. Disparei, então, aquela
afobação que me consumira o dia todo:
- PAI, CADÊ A
MINHA BICICLETA?
Com um sorriso
muito sem graça, disse-me que tinha comprado, mas que estava na loja e que só
não havia trazido porque saíra muito tarde do trabalho. Fiquei muito triste e
voltei para sala. A cena se repetiu inúmeras vezes.
Os dias foram
passando. O mês já havia virado. Todos os dias eu ia recebê-lo na porta; a cada
hora arranjava uma desculpa diferente.
Até que, em certa
noite, cansada das desculpas, já descrente de que ele realmente traria a
bicicleta; não fui à porta. Ansiosamente, ele dizia:
– Filha, não
vai dar um abraço no pai? Não vai perguntar da bicicleta?
Respondi que
não, que sabia que não tinha trazido.
Minha mãe,
vendo minha resistência, tentava me animar, incentivando-me a ir até a porta.
Porém, eu havia desistido; não acreditava mais no que papai dizia.
A muito custo,
levaram-me até ele. Para minha surpresa, lá estava minha tão sonhada bicicleta.
Meu sonho materializado diante de mim. Ao vê-la, a alegria tomou conta do meu
peito. Finalmente, a palavra dele tinha se cumprido.
Guardo esse
pequeno momento com carinho, como uma lembrança linda. Hoje consigo
colocar-me em seu lugar; imaginar o aperto em seu coração cada vez que precisou
inventar uma desculpa, a cada olhar triste meu. Sentimentos que, naquele
momento, nunca deixou transparecer.
Aquela
BICICLETA custou muito trabalho. Custou um dinheiro que não sobrava e que não
nos permitia luxos, mas que, no coração dele, valia todo sacrifício.
Não foi a
Caloi da televisão, mas foi a que o teu coração conseguiu, PAI.
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
O tempo e a cura
(Raquel Pereira)
Há tristezas que só são amenizadas com o tempo, e é com ele
que, vamos ressignificando as dores: as
feridas vão sendo curadas, passo a passo, e as angústias se tornam, a cada dia,
mais suportáveis.
Porém, antes que qualquer cura aconteça, há um logo processo,
pelo qual vamos nos despindo das feridas e escuridão da alma. É como um fardo
que vai sendo descarregado pelo caminho.
No começo dessa trajetória, em busca de restaurarmos
novamente nossa alegria pela vida, desacertamos tudo, fazemos uma bagunça
imensa, mas até a bagunça faz parte das etapas de cura.
Neste percurso,
passamos por grandes transformações, das quais muitas vezes inicialmente não
percebemos; até que chegamos àquela tarde chuvosa e nostálgica, com uma paz na
alma, e percebemos que, mesmo que tenha chuva lá fora, é preciso seguir.
Diante dessa percepção, notamos que não há mais peso.
Estamos livres: Sem dor, sem fardo, sem tristeza. Apenas com um tempo imenso e
uma vida pela frente.
domingo, 17 de janeiro de 2016
Nada
Raquel Pereira



